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domingo, 17 de outubro de 2021

Síndrome da caverna: quando o medo de sair de casa não passa com a vacina

outubro 17, 2021 0
Síndrome da caverna: quando o medo de sair de casa não passa com a vacina

O termo, popular entre os médicos, define pessoas que ainda não se sentem seguras para retomar a vida social profissional fora de casa.

A vacinação está completa. Você ainda usa máscaras de proteção ao sair (como há de ser) e tem um vidrinho de álcool em gel na bolsa. Tudo certo até aí. A questão é: você não quer sair de casa.

Com a reabertura gradual do comércio e o retorno igualmente cauteloso das atividades pré-pandemia de coronavírus, muita gente percebeu um movimento interno contrário ao que acontecia: mesmo vacinados, não se sentem totalmente seguros para retomar atividades sociais e até profissionais.

SÍNDROME DA CAVERNA


A condição recebeu um nome pela comunidade médica internacional: síndrome da caverna. Para muitas pessoas que seguiram seriamente a quarentena e passaram quase um ano e meio sem encontrar amigos e trabalhando no sistema home office, retomar a vida fora de casa pode ser um desafio – ao ponto de a vacinação completa não oferecer uma sensação de segurança grande o suficiente para que essas pessoas contornem o medo da infecção por COVID-19.

“As mudanças geradas pela pandemia de coronavírus criaram muito medo e ansiedade por causa do risco de uma doença e da morte, somado às repercussões em várias áreas da vida”, explica a professora de psiquiatria da Universidade de Northwestern, Jacqueline Gollan, à publicação científica Scientific American. “Mesmo que a pessoa esteja vacinada, ela ainda pode encontrar dificuldades para abandonar o medo porque está superestimando o risco e a probabilidade”.

Um estudo desenvolvido pela American Psychological Association mostrou que 49% dos adultos participantes anteciparam que se sentiriam desconfortáveis ao retornar para interações cara a cara quando a pandemia acabasse. E 48% dos que receberam a vacina disseram se sentir da mesma maneira.

Ou seja, se você se sente dessa forma, acredite, esse tem sido um efeito comum da pandemia. No ano passado, pesquisadores da Universidade de British Columbia previram que em torno de 10% da população lidaria com estresse pós-traumático derivado da pandemia. Por ser um acontecimento mundial recente, é difícil saber quais serão os seus efeitos a longo prazo, mas, ao que tudo indica, essa dificuldade de socialização é um deles.

SOFRO COM ISSO. O QUE FAZER?


O primeiro ponto é compreender que o nome “síndrome da caverna” não caracteriza um diagnóstico oficial. Existem graus diferentes de relutância em sair de casa, e é preciso ter em mente que certo receio é absolutamente comum – afinal, não é simples passar um ano e meio dentro de casa ouvindo notícias sobre números de mortes, taxas de transmissão e formas de contágio.

Por isso, é importante saber que buscar um profissional de saúde mental é sempre o mais adequado caso você perceba que o seu medo é do tipo incapacitante – ou seja, está apresentando um impacto direto nas suas relações pessoais e profissionais. Pense, por exemplo, em uma situação na qual você não consegue sair de casa para ir a uma reunião presencial de trabalho (com máscara, ventilação e todos vacinados, como deve ser) ou visitar um parente que precisa da sua ajuda.

No mais, existem algumas dicas que você pode seguir, segundo contou à CNN o Dr. Alan Teo, professor de psiquiatria da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, nos Estados Unidos.

Em primeiro lugar, respeite o seu processo. Você não precisa se sentir pressionado pelo que vê nas redes sociais. Busque perceber o que você tem vontade de fazer e o que se sente confortável. Não há problema em recusar convites para fazer coisas que você ainda não se sente seguro em fazer. Você pode, inclusive, oferecer outra sugestão: e se, ao invés de um almoço em um restaurante, vocês darem uma caminhada ao ar livre?

Em segundo, uma ideia é aumentar o seu nível de contato com as pessoas gradualmente. Ou seja, ao invés de sair logo de cara para um encontro de amigos na casa de alguém, você pode começar com uma caminhada acompanhada, passar para um café com outra pessoa em um espaço aberto e assim por diante…

Retomar a vida social será um processo para todos, por isso, não se cobre tanto ao perceber que a conversação parece truncada ou se você não sabe mais como interagir com as pessoas ao vivo. Todos precisarão se acostumar com esses contatos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Pix: Procon-SP defende que transações fiquem limitadas a R$ 500

setembro 17, 2021 0
Pix: Procon-SP defende que transações fiquem limitadas a R$ 500
Órgão se reuniu com o Banco Central para tratar das fraudes cometidas através do sistema


As transações do Pix devem ser limitadas a R$ 500, sustenta o Procon-SP, segundo reportagem do Valor Econômico. O órgão se reuniu ontem com representantes do Banco Central (BC) para discutir as fraudes no Pix. A medida para impor limites nas transações serviria para evitar golpes com o sistema de pagamentos do BC.

O Pix tem sido usado por golpistas no Whatsapp. O número de sequestros relâmpagos e problemas com QR Code também cresceram. De acordo com o Procon-SP, de janeiro a agosto deste ano foram registradas 2.500 reclamações relacionadas ao Pix — de julho a agosto foram mil.

A proposta do Procon-SP, diz o Valor, é de que a instituição investigue o valor máximo utilizado pela maioria dos usuários da ferramenta e limite as movimentações a R$ 500 no Pix até que existam mecanismos de segurança suficientes.

"Nós reconhecemos os benefícios trazidos pelo Pix e entendemos que não se pode travar o avanço tecnológico, mas é preciso que a segurança do consumidor seja garantida", diz Fernando Capez, diretor executivo do Procon-SP, no site do órgão.

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, é dever do fornecedor arcar com eventuais prejuízos decorrentes do serviço prestado. "Nós iremos responsabilizar os bancos pelas perdas que o consumidor sofrer com esses golpes", avisa Capez.

Outra proposta do diretor é a possibilidade de se fazer estorno de valores em transações para novas contas bancárias. "Na abertura de novas contas, durante pelo menos 30 dias, que seja permitido o estorno e bloqueio da movimentação até que se confirme que se trate de um cliente idôneo e não de um laranja", afirma Capez.

O Procon menciona em seu site alguns cuidados para utilizar o Pix. Sugere que consumidor deve ter cuidado rigoroso em solicitações pelo WhatsApp. "É recomendável confirmar (por telefone ou pessoalmente) antes de fazer o pagamento. Também deve evitar clicar em links enviados por e-mails ou SMS." Mais: recomenda realizar transações pelo Pix usando o aplicativo ou o site oficial do banco.

"Como um dos meios de utilização do Pix é o aparelho celular, ele deve ser mantido sempre bloqueado com senha ou biometria. Além disso, recomenda-se deslogar os aplicativos financeiros ao terminar de usar", diz o órgão de defesa do consumidor.
BC: horários e limites de transferências do Pix para evitar crimes

O Banco Central estabeleceu no final de agosto medidas para aumentar a segurança com as operações do Pix e evitar ação de criminosos. A autoridade monetária informou que outras medidas estão sendo implementadas.

O instrumento, que ganhou grande adesão do consumidor, também tem sido ferramenta para crimes como sequestros. O BC informou que será estabelecido um limite de R$ 1.000,00 para operações entre pessoas físicas (incluindo MEIs) utilizando meios de pagamento em arranjos de transferência no período noturno (das 20 horas às 6 horas), incluindo transferências intrabancárias, Pix, cartões de débito e liquidação de TEDs.

Também foi designado um prazo mínimo de 24 horas e máximo de 48 horas para a efetivação de pedido do usuário, feito por canal digital, para aumento de limites de transações com meios de pagamento (TED, DOC, transferências intrabancárias, Pix, boleto, e cartão de débito), impedindo o aumento imediato em situação de risco.

O Banco Central também enfatizou que os bancos vão oferecer aos clientes a opção de estabelecer limites transacionais diferentes no Pix para os períodos diurno e noturno, permitindo limites menores durante a noite.

Outra mudança, de acordo com o BC: as instituições deverão oferecer uma funcionalidade que permita aos usuários cadastrarem previamente contas que poderão receber Pix acima dos limites estabelecidos, permitindo manter seus limites baixos para as demais transações.
Usuários do PIX poderão reter transações por até 1 hora

No anúncio, a autoridade monetária destacou ainda que será estabelecido um prazo mínimo de 24 horas para que o cadastramento prévio de contas por canal digital produza efeitos, impedindo o cadastramento imediato em situação de risco. Além disso, permitirá que os participantes do Pix retenham uma transação por 30 minutos durante o dia ou por 60 minutos durante a noite para a análise de risco da operação, informando ao usuário quanto à retenção.

Entre as medidas também está a obrigatoriedade do mecanismo, que já existe hoje, mas é facultativo, de marcação no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) de contas em relação às quais existam indícios de utilização em fraudes no Pix, inclusive no caso de transações realizadas entre contas mantidas no mesmo participante.
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Fonte: Administradores (Com Estadão Conteúdo

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

A pandemia forçou o país a refletir sobre suas fraquezas

agosto 09, 2021 0
A pandemia forçou o país a refletir sobre suas fraquezas


Para a economista Zeina Latif, a crise na saúde trouxe lições e pode mover agendas de reformas


Na segunda edição do BRDE Cenários, ocorrido na última quarta-feira (04/08), a consultora de economia Zeina Latif expôs algumas análises e aprendizados sobre a crise da saúde que eclodiu com o coronavírus. Essas lições, segundo ela, podem gerar um movimento nas agendas de reformas. "A pandemia chacoalhou e praticamente forçou o país a refletir sobre suas fraquezas", afirmou a economista. Hoje em dia, já há diversos diagnósticos baseados nos acontecimentos, além de uma sociedade mais inquieta. O primeiro ponto de alerta em relação à atuação do Brasil na pandemia foi o alto índice de mortes, apesar de ter sido um dos países que mais gastou no período.

"Quando levamos em consideração todos os gastos do governo, nos comportamos como se fôssemos uma nação desenvolvida", avalia Zeina. Mas, se por um lado os gastos foram feitos, os frutos não foram colhidos. "Essa é uma lição importante. É essencial que um país com dimensões como as nossas tenha esforços mais coordenados para dar efetividade às políticas públicas", reflete. Essa falta de esforços coordenados, segundo ela, acabou gerando uma sobrecarga do ponto de vista de políticas econômicas.

Para Zeina, uma estratégia imprescindível é o desenvolvimento de maior controle social, de forma que, mesmo em situações de pressão política, o país conte com uma máquina que funcione. "Os Estados Unidos, mesmo com todas as restrições e a negação do Trump em relação às questões de saúde, conseguiram se organizar para ter vacinação tempestiva. Sei que não é uma comparação justa, mas é um desafio para aumentar a efetividade da nossa máquina pública de modo que o ponto final seja sempre o cidadão", analisa.

Outro ponto importante, segundo a economista, é a disciplina fiscal, que gera consciência na hora de gastar os recursos sem esquecer do futuro. "Nosso dia seguinte [à pandemia] está sendo muito duro, porque houve falta de calibragem nas políticas públicas. É essencial a noção de disciplina fiscal para que, em momentos difíceis como os que passamos, haja espaço para fazer gastos sem maiores consequências no ambiente macroeconômico", aconselha.

O cuidado no desenho das políticas públicas para reparar essas consequências é, para Zeina, o caminho a ser seguido. Ela ressalta que, antes de aprovar novas medidas, é necessário garantir que elas estarão bem desenhadas e que serão entregues a quem realmente necessita. "Quando vemos discussões sobre vale-gás, por exemplo, você beneficia todos os consumidores de um produto, mas a ideia é beneficiar só as camadas mais populares", alerta. Igualmente importante é avaliar o auxílio oferecido às empresas: algumas delas ficaram para trás em relação à digitalização e automação de processos, e a consultora de economia sugere que haja, também, uma análise cuidadosa do grupo que precisa de ajuda.

"Às vezes ela não precisa, tem como captar recursos de outra forma", exemplifica. Mas não é apenas com a concessão de recursos que a situação será revertida. O Custo Brasil e a insegurança jurídica, por exemplo, desencorajam os investimentos com regras que mudam com muita frequência, e, muitas vezes, sem critérios. "É preciso ter uma previsibilidade no ambiente de tomada de decisão para que os players tenham tranquilidade para investir", finaliza Zeina, indicando caminhos para que os aprendizados gerados pelas dificuldades sejam justamente a solução delas.

domingo, 18 de julho de 2021

Grafeno , nova aposta da CSN em Volta Redonda

julho 18, 2021 0
Grafeno , nova aposta da CSN em Volta Redonda

Grande aposta de um futuro próximo, o grafeno – material 2D composto por camadas monoatômicas de carbono e derivado do grafite, mineral que possui a terceira maior reserva comprovada no Brasil – tem despertado interesse no mundo todo devido às suas propriedades únicas, como alta resistência, impermeabilidade e alta condutividade térmica e elétrica. Tudo isso faz dele um poderoso aditivo de grande versatilidade para várias aplicações, desde a produção de baterias mais leves e eficientes até tintas e revestimentos, com destacada resistência à corrosão.

De olho no potencial do grafeno e alinhada à sua tese de investimento em materiais avançados, a CSN Inova, braço de inovação da Companhia Siderúrgica Nacional, anunciou que realizou um aporte financeiro na 2D Materials Pte Ltd (2DM), startup baseada em Singapura. Além de dominar a tecnologia de produção em escala industrial, a startup, que foi fundada por brasileiros, destaca-se pelo avanço no desenvolvimento da aplicação do material, em sua maioria realizado em parceria com diversos clientes que são líderes em suas áreas de atuação e com presença em vários países.

Gabriela Toribio, gestora de Investimentos da Inova, explica que a iniciativa “mantém a CSN na vanguarda como agente de transformação da indústria nacional e aconteceu em um momento muito especial, já que, em abril, a empresa completou 80 anos de fundação”. O braço de investimentos em capital de risco da CSN, que foi o responsável pelo aporte, é uma continuidade da estratégia de inovação da companhia.

Por meio da participação acionária em startups, a CSN Inova atua como um radar de tendências em novas tecnologias e desenvolve com empreendedores soluções com potencial de escala e para resolver grandes desafios do ecossistema.

De acordo com Gabriela, o primeiro investimento traduz exatamente esse propósito, uma vez que o grafeno tem um potencial revolucionário na indústria, oferecendo múltiplas aplicações e diversas oportunidades de inovação na indústria. Além da qualidade diferenciada, a startup desenvolveu um processo ambientalmente mais sustentável e com maior eficiência energética, além de reunir uma equipe estelar.

“A 2DM conta com empreendedores experientes, como o professor Antonio Helio Castro Neto e o doutor Ricardo Oliveira, que são duas das principais referências no assunto, e com um ‘board’ composto por PhDs e até com o ganhador do prêmio Nobel pela descoberta do grafeno, Konstantin Novoselov. Além disso, o fato de estarem localizados em Singapura proporciona o acesso fácil a um mercado com grande potencial de expansão, como o uso em aplicações eletrônicas e em carros elétricos em países como a China e no Sudeste Asiático”, detalha.

Segundo Felipe Steinbruch, que lidera a agenda estratégica de Inovação e Tecnologia do Grupo CSN, o investimento consolida o novo momento da companhia, que enxerga na participação em novos negócios o cenário ideal para impulsionar seu crescimento. “Está cada vez mais claro que o futuro é participativo. Inovação, tecnologia e ESG (ambiental, social e governança, em português), combinadas a esse modo de operar de forma colaborativa, vieram para ficar, e as empresas que não se adequarem a esse modelo estarão fora do jogo”, destaca Felipe.

O uso do grafeno no Centro de Pesquisas em Volta Redonda - Atenta às megatendências pelas quais a sociedade vem passando nos últimos tempos, como mudanças climáticas, superpopulação e digitalização da indústria, a CSN identificou o grafeno como um material-chave em sua estratégia de inovação.

Na siderurgia, por exemplo, estudos já mostram que seu uso combinado ao aço traz maior resistência contra corrosão, entre outras propriedades. Em relação ao cimento, o grafeno tem um forte apelo para o desenvolvimento de uma nova geração do material, com maior resistência, além de mais leve e impermeável – o que seria altamente indicado para a utilização em prédios inteligentes, com captação e armazenamento de energia para aquecimento de água ou conforto térmico. “O grafeno é um poderoso aditivo, que mesmo em pequenas quantidades pode trazer grandes resultados e agregar muito valor aos produtos”, destaca José Noldin, “head” de Estratégia de Tecnologias da CSN Inova.

Segundo ele, juntamente ao investimento na 2DM, a empresa está lançando um grupo de trabalho dedicado ao grafeno nas instalações do Centro de Pesquisas, na Usina Presidente Vargas (UPV), em Volta Redonda. A equipe atuará como uma célula de competências na aplicação de grafeno e fomentará o desenvolvimento de soluções em energia, aço, cimento e minério de ferro.

“A versatilidade das aplicações do grafeno, principalmente com uma qualidade diferenciada como o da 2DM, faz dele um material único e que, certamente, irá revolucionar a indústria nos próximos anos. Desta maneira, iremos acelerar o uso também em outras indústrias, como têxtil, biomedicina, mobilidade, agrícola e outras, que são grandes consumidoras de aço e clientes da CSN. Por isso, esse investimento e posicionamento da CSN são estratégicos e trarão um impacto positivo para todo o mercado, além de reforçar a relevância de Volta Redonda para o progresso técnico-científico, industrial e sustentável do país”, afirma Noldin. 


sexta-feira, 4 de junho de 2021

Como os Neandertais e outros humanos antigos aprenderam a contar?

junho 04, 2021 0
Como os Neandertais e outros humanos antigos aprenderam a contar?
Descobertas arqueológicas sugerem que as pessoas desenvolveram números dezenas de milhares de anos atrás. Os estudiosos agora estão explorando as primeiras hipóteses detalhadas sobre essa invenção que transforma vidas.

As marcações feitas em um osso de hiena por um Neandertal podem ter registrado informações numéricas.

Há cerca de 60 mil anos, no que hoje é o oeste da França, um Neandertal pegou um pedaço do fêmur de uma hiena e uma ferramenta de pedra e começou a trabalhar. Quando a tarefa foi concluída, o osso apresentava nove entalhes que eram surpreendentemente semelhantes e aproximadamente paralelos, como se devessem significar algo.

Francesco d'Errico, arqueólogo da Universidade de Bordeaux, na França, tem uma ideia sobre as marcas. Ele examinou muitos artefatos esculpidos antigos durante sua carreira e acha que o osso de hiena - encontrado na década de 1970 no local de Les Pradelles, perto de Angoulême - se destaca como incomum. Embora artefatos esculpidos antigos sejam frequentemente interpretados como obras de arte, o osso Les Pradelles parece ter sido mais funcional, diz D'Errico.

Ele argumenta que pode codificar informações numéricas. E se isso estiver correto, os humanos anatomicamente modernos podem não ter estado sozinhos no desenvolvimento de um sistema de notações numéricas: os neandertais podem ter começado a fazer isso também 1 .

Quando D'Errico publicou suas ideias em 2018, ele estava se aventurando em um território que poucos cientistas haviam explorado: as antigas raízes dos números. “A origem dos números ainda é um nicho relativamente vago na pesquisa científica”, diz Russell Gray, biólogo evolucionista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha. Os pesquisadores nem chegam a acordo, às vezes, sobre o que são os números, embora um estudo 2 de 2017 os tenha definido como entidades discretas com valores exatos que são representados por símbolos na forma de palavras e sinais.

Agora, a origem dos números está atraindo cada vez mais atenção, à medida que pesquisadores de diversos campos abordam o problema de diferentes pontos de vista.

Fonte: Nature


Referências

1 D'Errico, F. et al. Phil. Trans. R. Soc. B 373 , 20160518 (2018).

2 Núñez, RE Trends Cogn. Sci. 21 , 409–424 (2017).

domingo, 17 de outubro de 2021

Síndrome da caverna: quando o medo de sair de casa não passa com a vacina


O termo, popular entre os médicos, define pessoas que ainda não se sentem seguras para retomar a vida social profissional fora de casa.

A vacinação está completa. Você ainda usa máscaras de proteção ao sair (como há de ser) e tem um vidrinho de álcool em gel na bolsa. Tudo certo até aí. A questão é: você não quer sair de casa.

Com a reabertura gradual do comércio e o retorno igualmente cauteloso das atividades pré-pandemia de coronavírus, muita gente percebeu um movimento interno contrário ao que acontecia: mesmo vacinados, não se sentem totalmente seguros para retomar atividades sociais e até profissionais.

SÍNDROME DA CAVERNA


A condição recebeu um nome pela comunidade médica internacional: síndrome da caverna. Para muitas pessoas que seguiram seriamente a quarentena e passaram quase um ano e meio sem encontrar amigos e trabalhando no sistema home office, retomar a vida fora de casa pode ser um desafio – ao ponto de a vacinação completa não oferecer uma sensação de segurança grande o suficiente para que essas pessoas contornem o medo da infecção por COVID-19.

“As mudanças geradas pela pandemia de coronavírus criaram muito medo e ansiedade por causa do risco de uma doença e da morte, somado às repercussões em várias áreas da vida”, explica a professora de psiquiatria da Universidade de Northwestern, Jacqueline Gollan, à publicação científica Scientific American. “Mesmo que a pessoa esteja vacinada, ela ainda pode encontrar dificuldades para abandonar o medo porque está superestimando o risco e a probabilidade”.

Um estudo desenvolvido pela American Psychological Association mostrou que 49% dos adultos participantes anteciparam que se sentiriam desconfortáveis ao retornar para interações cara a cara quando a pandemia acabasse. E 48% dos que receberam a vacina disseram se sentir da mesma maneira.

Ou seja, se você se sente dessa forma, acredite, esse tem sido um efeito comum da pandemia. No ano passado, pesquisadores da Universidade de British Columbia previram que em torno de 10% da população lidaria com estresse pós-traumático derivado da pandemia. Por ser um acontecimento mundial recente, é difícil saber quais serão os seus efeitos a longo prazo, mas, ao que tudo indica, essa dificuldade de socialização é um deles.

SOFRO COM ISSO. O QUE FAZER?


O primeiro ponto é compreender que o nome “síndrome da caverna” não caracteriza um diagnóstico oficial. Existem graus diferentes de relutância em sair de casa, e é preciso ter em mente que certo receio é absolutamente comum – afinal, não é simples passar um ano e meio dentro de casa ouvindo notícias sobre números de mortes, taxas de transmissão e formas de contágio.

Por isso, é importante saber que buscar um profissional de saúde mental é sempre o mais adequado caso você perceba que o seu medo é do tipo incapacitante – ou seja, está apresentando um impacto direto nas suas relações pessoais e profissionais. Pense, por exemplo, em uma situação na qual você não consegue sair de casa para ir a uma reunião presencial de trabalho (com máscara, ventilação e todos vacinados, como deve ser) ou visitar um parente que precisa da sua ajuda.

No mais, existem algumas dicas que você pode seguir, segundo contou à CNN o Dr. Alan Teo, professor de psiquiatria da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, nos Estados Unidos.

Em primeiro lugar, respeite o seu processo. Você não precisa se sentir pressionado pelo que vê nas redes sociais. Busque perceber o que você tem vontade de fazer e o que se sente confortável. Não há problema em recusar convites para fazer coisas que você ainda não se sente seguro em fazer. Você pode, inclusive, oferecer outra sugestão: e se, ao invés de um almoço em um restaurante, vocês darem uma caminhada ao ar livre?

Em segundo, uma ideia é aumentar o seu nível de contato com as pessoas gradualmente. Ou seja, ao invés de sair logo de cara para um encontro de amigos na casa de alguém, você pode começar com uma caminhada acompanhada, passar para um café com outra pessoa em um espaço aberto e assim por diante…

Retomar a vida social será um processo para todos, por isso, não se cobre tanto ao perceber que a conversação parece truncada ou se você não sabe mais como interagir com as pessoas ao vivo. Todos precisarão se acostumar com esses contatos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Pix: Procon-SP defende que transações fiquem limitadas a R$ 500

Órgão se reuniu com o Banco Central para tratar das fraudes cometidas através do sistema


As transações do Pix devem ser limitadas a R$ 500, sustenta o Procon-SP, segundo reportagem do Valor Econômico. O órgão se reuniu ontem com representantes do Banco Central (BC) para discutir as fraudes no Pix. A medida para impor limites nas transações serviria para evitar golpes com o sistema de pagamentos do BC.

O Pix tem sido usado por golpistas no Whatsapp. O número de sequestros relâmpagos e problemas com QR Code também cresceram. De acordo com o Procon-SP, de janeiro a agosto deste ano foram registradas 2.500 reclamações relacionadas ao Pix — de julho a agosto foram mil.

A proposta do Procon-SP, diz o Valor, é de que a instituição investigue o valor máximo utilizado pela maioria dos usuários da ferramenta e limite as movimentações a R$ 500 no Pix até que existam mecanismos de segurança suficientes.

"Nós reconhecemos os benefícios trazidos pelo Pix e entendemos que não se pode travar o avanço tecnológico, mas é preciso que a segurança do consumidor seja garantida", diz Fernando Capez, diretor executivo do Procon-SP, no site do órgão.

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, é dever do fornecedor arcar com eventuais prejuízos decorrentes do serviço prestado. "Nós iremos responsabilizar os bancos pelas perdas que o consumidor sofrer com esses golpes", avisa Capez.

Outra proposta do diretor é a possibilidade de se fazer estorno de valores em transações para novas contas bancárias. "Na abertura de novas contas, durante pelo menos 30 dias, que seja permitido o estorno e bloqueio da movimentação até que se confirme que se trate de um cliente idôneo e não de um laranja", afirma Capez.

O Procon menciona em seu site alguns cuidados para utilizar o Pix. Sugere que consumidor deve ter cuidado rigoroso em solicitações pelo WhatsApp. "É recomendável confirmar (por telefone ou pessoalmente) antes de fazer o pagamento. Também deve evitar clicar em links enviados por e-mails ou SMS." Mais: recomenda realizar transações pelo Pix usando o aplicativo ou o site oficial do banco.

"Como um dos meios de utilização do Pix é o aparelho celular, ele deve ser mantido sempre bloqueado com senha ou biometria. Além disso, recomenda-se deslogar os aplicativos financeiros ao terminar de usar", diz o órgão de defesa do consumidor.
BC: horários e limites de transferências do Pix para evitar crimes

O Banco Central estabeleceu no final de agosto medidas para aumentar a segurança com as operações do Pix e evitar ação de criminosos. A autoridade monetária informou que outras medidas estão sendo implementadas.

O instrumento, que ganhou grande adesão do consumidor, também tem sido ferramenta para crimes como sequestros. O BC informou que será estabelecido um limite de R$ 1.000,00 para operações entre pessoas físicas (incluindo MEIs) utilizando meios de pagamento em arranjos de transferência no período noturno (das 20 horas às 6 horas), incluindo transferências intrabancárias, Pix, cartões de débito e liquidação de TEDs.

Também foi designado um prazo mínimo de 24 horas e máximo de 48 horas para a efetivação de pedido do usuário, feito por canal digital, para aumento de limites de transações com meios de pagamento (TED, DOC, transferências intrabancárias, Pix, boleto, e cartão de débito), impedindo o aumento imediato em situação de risco.

O Banco Central também enfatizou que os bancos vão oferecer aos clientes a opção de estabelecer limites transacionais diferentes no Pix para os períodos diurno e noturno, permitindo limites menores durante a noite.

Outra mudança, de acordo com o BC: as instituições deverão oferecer uma funcionalidade que permita aos usuários cadastrarem previamente contas que poderão receber Pix acima dos limites estabelecidos, permitindo manter seus limites baixos para as demais transações.
Usuários do PIX poderão reter transações por até 1 hora

No anúncio, a autoridade monetária destacou ainda que será estabelecido um prazo mínimo de 24 horas para que o cadastramento prévio de contas por canal digital produza efeitos, impedindo o cadastramento imediato em situação de risco. Além disso, permitirá que os participantes do Pix retenham uma transação por 30 minutos durante o dia ou por 60 minutos durante a noite para a análise de risco da operação, informando ao usuário quanto à retenção.

Entre as medidas também está a obrigatoriedade do mecanismo, que já existe hoje, mas é facultativo, de marcação no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT) de contas em relação às quais existam indícios de utilização em fraudes no Pix, inclusive no caso de transações realizadas entre contas mantidas no mesmo participante.
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Fonte: Administradores (Com Estadão Conteúdo

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

A pandemia forçou o país a refletir sobre suas fraquezas



Para a economista Zeina Latif, a crise na saúde trouxe lições e pode mover agendas de reformas


Na segunda edição do BRDE Cenários, ocorrido na última quarta-feira (04/08), a consultora de economia Zeina Latif expôs algumas análises e aprendizados sobre a crise da saúde que eclodiu com o coronavírus. Essas lições, segundo ela, podem gerar um movimento nas agendas de reformas. "A pandemia chacoalhou e praticamente forçou o país a refletir sobre suas fraquezas", afirmou a economista. Hoje em dia, já há diversos diagnósticos baseados nos acontecimentos, além de uma sociedade mais inquieta. O primeiro ponto de alerta em relação à atuação do Brasil na pandemia foi o alto índice de mortes, apesar de ter sido um dos países que mais gastou no período.

"Quando levamos em consideração todos os gastos do governo, nos comportamos como se fôssemos uma nação desenvolvida", avalia Zeina. Mas, se por um lado os gastos foram feitos, os frutos não foram colhidos. "Essa é uma lição importante. É essencial que um país com dimensões como as nossas tenha esforços mais coordenados para dar efetividade às políticas públicas", reflete. Essa falta de esforços coordenados, segundo ela, acabou gerando uma sobrecarga do ponto de vista de políticas econômicas.

Para Zeina, uma estratégia imprescindível é o desenvolvimento de maior controle social, de forma que, mesmo em situações de pressão política, o país conte com uma máquina que funcione. "Os Estados Unidos, mesmo com todas as restrições e a negação do Trump em relação às questões de saúde, conseguiram se organizar para ter vacinação tempestiva. Sei que não é uma comparação justa, mas é um desafio para aumentar a efetividade da nossa máquina pública de modo que o ponto final seja sempre o cidadão", analisa.

Outro ponto importante, segundo a economista, é a disciplina fiscal, que gera consciência na hora de gastar os recursos sem esquecer do futuro. "Nosso dia seguinte [à pandemia] está sendo muito duro, porque houve falta de calibragem nas políticas públicas. É essencial a noção de disciplina fiscal para que, em momentos difíceis como os que passamos, haja espaço para fazer gastos sem maiores consequências no ambiente macroeconômico", aconselha.

O cuidado no desenho das políticas públicas para reparar essas consequências é, para Zeina, o caminho a ser seguido. Ela ressalta que, antes de aprovar novas medidas, é necessário garantir que elas estarão bem desenhadas e que serão entregues a quem realmente necessita. "Quando vemos discussões sobre vale-gás, por exemplo, você beneficia todos os consumidores de um produto, mas a ideia é beneficiar só as camadas mais populares", alerta. Igualmente importante é avaliar o auxílio oferecido às empresas: algumas delas ficaram para trás em relação à digitalização e automação de processos, e a consultora de economia sugere que haja, também, uma análise cuidadosa do grupo que precisa de ajuda.

"Às vezes ela não precisa, tem como captar recursos de outra forma", exemplifica. Mas não é apenas com a concessão de recursos que a situação será revertida. O Custo Brasil e a insegurança jurídica, por exemplo, desencorajam os investimentos com regras que mudam com muita frequência, e, muitas vezes, sem critérios. "É preciso ter uma previsibilidade no ambiente de tomada de decisão para que os players tenham tranquilidade para investir", finaliza Zeina, indicando caminhos para que os aprendizados gerados pelas dificuldades sejam justamente a solução delas.

domingo, 18 de julho de 2021

Grafeno , nova aposta da CSN em Volta Redonda


Grande aposta de um futuro próximo, o grafeno – material 2D composto por camadas monoatômicas de carbono e derivado do grafite, mineral que possui a terceira maior reserva comprovada no Brasil – tem despertado interesse no mundo todo devido às suas propriedades únicas, como alta resistência, impermeabilidade e alta condutividade térmica e elétrica. Tudo isso faz dele um poderoso aditivo de grande versatilidade para várias aplicações, desde a produção de baterias mais leves e eficientes até tintas e revestimentos, com destacada resistência à corrosão.

De olho no potencial do grafeno e alinhada à sua tese de investimento em materiais avançados, a CSN Inova, braço de inovação da Companhia Siderúrgica Nacional, anunciou que realizou um aporte financeiro na 2D Materials Pte Ltd (2DM), startup baseada em Singapura. Além de dominar a tecnologia de produção em escala industrial, a startup, que foi fundada por brasileiros, destaca-se pelo avanço no desenvolvimento da aplicação do material, em sua maioria realizado em parceria com diversos clientes que são líderes em suas áreas de atuação e com presença em vários países.

Gabriela Toribio, gestora de Investimentos da Inova, explica que a iniciativa “mantém a CSN na vanguarda como agente de transformação da indústria nacional e aconteceu em um momento muito especial, já que, em abril, a empresa completou 80 anos de fundação”. O braço de investimentos em capital de risco da CSN, que foi o responsável pelo aporte, é uma continuidade da estratégia de inovação da companhia.

Por meio da participação acionária em startups, a CSN Inova atua como um radar de tendências em novas tecnologias e desenvolve com empreendedores soluções com potencial de escala e para resolver grandes desafios do ecossistema.

De acordo com Gabriela, o primeiro investimento traduz exatamente esse propósito, uma vez que o grafeno tem um potencial revolucionário na indústria, oferecendo múltiplas aplicações e diversas oportunidades de inovação na indústria. Além da qualidade diferenciada, a startup desenvolveu um processo ambientalmente mais sustentável e com maior eficiência energética, além de reunir uma equipe estelar.

“A 2DM conta com empreendedores experientes, como o professor Antonio Helio Castro Neto e o doutor Ricardo Oliveira, que são duas das principais referências no assunto, e com um ‘board’ composto por PhDs e até com o ganhador do prêmio Nobel pela descoberta do grafeno, Konstantin Novoselov. Além disso, o fato de estarem localizados em Singapura proporciona o acesso fácil a um mercado com grande potencial de expansão, como o uso em aplicações eletrônicas e em carros elétricos em países como a China e no Sudeste Asiático”, detalha.

Segundo Felipe Steinbruch, que lidera a agenda estratégica de Inovação e Tecnologia do Grupo CSN, o investimento consolida o novo momento da companhia, que enxerga na participação em novos negócios o cenário ideal para impulsionar seu crescimento. “Está cada vez mais claro que o futuro é participativo. Inovação, tecnologia e ESG (ambiental, social e governança, em português), combinadas a esse modo de operar de forma colaborativa, vieram para ficar, e as empresas que não se adequarem a esse modelo estarão fora do jogo”, destaca Felipe.

O uso do grafeno no Centro de Pesquisas em Volta Redonda - Atenta às megatendências pelas quais a sociedade vem passando nos últimos tempos, como mudanças climáticas, superpopulação e digitalização da indústria, a CSN identificou o grafeno como um material-chave em sua estratégia de inovação.

Na siderurgia, por exemplo, estudos já mostram que seu uso combinado ao aço traz maior resistência contra corrosão, entre outras propriedades. Em relação ao cimento, o grafeno tem um forte apelo para o desenvolvimento de uma nova geração do material, com maior resistência, além de mais leve e impermeável – o que seria altamente indicado para a utilização em prédios inteligentes, com captação e armazenamento de energia para aquecimento de água ou conforto térmico. “O grafeno é um poderoso aditivo, que mesmo em pequenas quantidades pode trazer grandes resultados e agregar muito valor aos produtos”, destaca José Noldin, “head” de Estratégia de Tecnologias da CSN Inova.

Segundo ele, juntamente ao investimento na 2DM, a empresa está lançando um grupo de trabalho dedicado ao grafeno nas instalações do Centro de Pesquisas, na Usina Presidente Vargas (UPV), em Volta Redonda. A equipe atuará como uma célula de competências na aplicação de grafeno e fomentará o desenvolvimento de soluções em energia, aço, cimento e minério de ferro.

“A versatilidade das aplicações do grafeno, principalmente com uma qualidade diferenciada como o da 2DM, faz dele um material único e que, certamente, irá revolucionar a indústria nos próximos anos. Desta maneira, iremos acelerar o uso também em outras indústrias, como têxtil, biomedicina, mobilidade, agrícola e outras, que são grandes consumidoras de aço e clientes da CSN. Por isso, esse investimento e posicionamento da CSN são estratégicos e trarão um impacto positivo para todo o mercado, além de reforçar a relevância de Volta Redonda para o progresso técnico-científico, industrial e sustentável do país”, afirma Noldin. 


sexta-feira, 4 de junho de 2021

Como os Neandertais e outros humanos antigos aprenderam a contar?

Descobertas arqueológicas sugerem que as pessoas desenvolveram números dezenas de milhares de anos atrás. Os estudiosos agora estão explorando as primeiras hipóteses detalhadas sobre essa invenção que transforma vidas.

As marcações feitas em um osso de hiena por um Neandertal podem ter registrado informações numéricas.

Há cerca de 60 mil anos, no que hoje é o oeste da França, um Neandertal pegou um pedaço do fêmur de uma hiena e uma ferramenta de pedra e começou a trabalhar. Quando a tarefa foi concluída, o osso apresentava nove entalhes que eram surpreendentemente semelhantes e aproximadamente paralelos, como se devessem significar algo.

Francesco d'Errico, arqueólogo da Universidade de Bordeaux, na França, tem uma ideia sobre as marcas. Ele examinou muitos artefatos esculpidos antigos durante sua carreira e acha que o osso de hiena - encontrado na década de 1970 no local de Les Pradelles, perto de Angoulême - se destaca como incomum. Embora artefatos esculpidos antigos sejam frequentemente interpretados como obras de arte, o osso Les Pradelles parece ter sido mais funcional, diz D'Errico.

Ele argumenta que pode codificar informações numéricas. E se isso estiver correto, os humanos anatomicamente modernos podem não ter estado sozinhos no desenvolvimento de um sistema de notações numéricas: os neandertais podem ter começado a fazer isso também 1 .

Quando D'Errico publicou suas ideias em 2018, ele estava se aventurando em um território que poucos cientistas haviam explorado: as antigas raízes dos números. “A origem dos números ainda é um nicho relativamente vago na pesquisa científica”, diz Russell Gray, biólogo evolucionista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha. Os pesquisadores nem chegam a acordo, às vezes, sobre o que são os números, embora um estudo 2 de 2017 os tenha definido como entidades discretas com valores exatos que são representados por símbolos na forma de palavras e sinais.

Agora, a origem dos números está atraindo cada vez mais atenção, à medida que pesquisadores de diversos campos abordam o problema de diferentes pontos de vista.

Fonte: Nature


Referências

1 D'Errico, F. et al. Phil. Trans. R. Soc. B 373 , 20160518 (2018).

2 Núñez, RE Trends Cogn. Sci. 21 , 409–424 (2017).