quarta-feira, 3 de maio de 2017

O dia que Kotler morreu



O dia que Kotler morreu
Os especialistas em Marketing Digital mataram Philip Kotler – um dos gurus do marketing. Hoje tudo é digital, logo, o “tiozinho que escreveu aquele livro gigante que nunca ninguém leu, mas que o professor da faculdade mandou comprar…” pode ser deixado de lado. Afinal, ser PhD pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), ter realizado pós-doutorado em Harvard, prestado consultoria para empresas como IBM, Michelin, General Motors e ser a sexta pessoa mais influente do mundo dos negócios, claramente, vale muito menos que a sacada genial que o social media teve para o post de Dia dos Pais. 

Esse senhor, certa vez ousou em falar sobre os 4Ps do marketing. Mas ao que parece, o Digital não precisa saber disso. Preço, o cliente decide. Produto, o cliente produz. Praça é o cliente que cuida, e a Promoção é de responsabilidade do social media, munido com os mais diversos memes. O consumidor que goste da ideia, afinal, ela é a grande sacada. Antes, a aposta em posts bem-humorados era o suficiente para gerar engajamento. Porém, Mark Zuckeberg mudou as regras do jogo e agora é preciso pagar para conseguir engajamento. A ferramenta do Facebook é simples de mexer, tem uma segmentação bacana e milhões de impactos. Não é necessário ter planejamento ou estratégia. Novos seguidores e curtidas na página, e o objetivo foi alcançado. O próximo passo é fazer tudo de novo. O resultado? Uma página com milhares de likes. 

Se, por exemplo, passam 5 mil pessoas por uma loja no shopping, mas só 2 realizam uma compra, o estabelecimento fecha. A lógica é simples: gerou muito lead, mas não foi convertido em negócio. O que está errado? Preço, produto, atendimento? É preciso refletir porque 5 mil curtidas no post com 2 ou 3 negócios gerados é algo bom. Mataram o Kotler, que defende estratégias que gerem negócios e não apenas likes e leads. Philip ensina que o marketing é pensar em pessoas, em emoções. Com cálculos, ele mostra que é mais barato manter o cliente do que conquistar novos. Mas, hoje, manter os clientes não gera mídia e não vale a pena. 

Diga que não tem como fazer nada com a verba a não ser performance e pronto. A performance gera negócios, e não uma mídia com custo mais baixo no click. O digital se resumiu a mídia online em patrocínio de posts, links pagos no Google, programática, e influenciadores. Todos esses elementos são importantes, mas qual a história que a mídia vai contar? Ao serem questionados sobre qual a mensagem que desejam passar, os assassinos de Kotler param e travam como um erro 404 do Windows. A piada, já foi, a promoção também. E agora? 

Enquanto os profissionais do setor ignorarem os ensinamentos de Kotler, o marketing digital será analisado apenas como mídia. Os conceitos de Internet das Coisas, Omnichannel, BigData, AmazonDash, Wearables, Vídeo 360o, Hololens/Windows serão resumidos em mídia. As plataformas digitais têm pecado na retenção do cliente. Usar a mesma comunicação para todos os públicos não é eficaz. Um rapaz de 35 anos, residente em São Paulo, não consome da mesma forma que um senhor de 50 anos do Rio de Janeiro. Bem-vindo à era da propaganda orientada para ferramentas e não para o consumidor. Infelizmente, Kotler morreu. 

Felipe Morais é coordenador de MBA no Grupo Impacta, para o site Coletiva.net

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Adm. de Empresas, Gaúcho, Parlamentarista e defensor do Voto Distrital Puro. , Saiba mais